segunda-feira, 19 de abril de 2010

Lembrete importante!

Antes de comparar os autores trabalhados, vale lembra-lhes de pontos essenciais para uma boa desenvoltura na prova e na própria absorção do conteúdo estudado:

Gândavo é um português que escreve a sua História destinada ao Dom Lionis Pereira, ou seja, a um superior; portanto a obra é escrita com cautela, com uma visão que sempre mostra a superioridade e a grande conquista que Portugual tem em se apropriar do Brasil.

Cardim também é português, mas está incluído na missão jesuítica no Brasil, em que em sua Narrativa Epistolar de uma viagem e missão jesuítica nos fica bem claro suas intenções de catequização do índio afim de torná-los cristãos. Em seus tratados ele não se dirige a um superior, portanto escreve "sem formas", em que em vários momentos vemos mais um olhar de um estudioso do que um viajante julgador.

Hans Staden é um alemão que foi aprisionado pelos índios e que a partir daí pôde conviver na cultura deles (numa posição inferior aos gentios, ou seja, como prisioneiro ameaçado de ser comido a todo momento) e observá-los de uma maneira mais aprofundada em suas vidas. No seu primeiro livro temos uma narrativa empolgante muito parecido com uma obra de ficção. No segundo livro (o que foi trabalhado em sala de aula) temos uma descrição dessa nova cultura conhecida por ele e todas as coisas que fazem parte dela (suas moradias, seus hábitos alimentares, etc.). Com frases como "eu vi", "eu mesmo comi", entre outras, nos dá uma maior "segurança" em relação as suas descrições pelo fato de não haver interesses estilísticos e nem econômicos em seus relatos.

Obs: A comparação entre eles será postado somente amanhã, pois adoeci nesse final de semana e hoje não poderei fazê-la por completo. Obrigada pela compreensão.

O que Literatura Jesuítica?

Algumas pessoas misturam um pouco a literatura de informação e a literatura jesuítica. Vejamos esse texto que resume os dois conceitos:

"O primeiro século de colonização do Brasil foi marcado pela tentativa européia de descrição e dominação do Novo Mundo. A nova terra, cheia de animais e plantas exóticos, e seus estranhos habitantes, de costumes inusitados e por vezes assustadores, geraram uma literatura composta basicamente por cartas, relatos de viagem e tratados descritivos. Essa literatura, denominada Informativa, procurava contar todas as novidades àqueles europeus que não se atreviam a fazer uma viagem tão atribulada. Além disso, temos a obra dos padres jesuítas que vieram ao Brasil para catequizar os nativos. Eles criaram uma literatura de caráter didático, por meio da qual procuravam levar, e muitas vezes forçar, o índio a adotar a fé cristã. Nessa literatura jesuítica, o mais destacado, tanto como missionário quanto nas escritas, foi o padre José de Anchieta, que deixou inúmeros poemas e peças doutrinárias de valor literário."

Além disso, vale lembrar outros pontos fundamentais

a) Os jesuítas instalados no Brasil eram agentes da Contra-Reforma. Por isso, a atividade principal dos padres era o trabalho de catequese.

b) Num trecho da Carta de Caminha, o autor solicita ao rei que envie gente para a terra recém-descoberta: “Não deixe logo de vir clérigo para os batizar...”

c) Os jesuítas contribuíram para a destribalização dos indígenas, tentando incutir-lhes uma educação européia.

d) Pondo em primeiro plano a intenção pedagógica e moralizante, os textos que produziram têm caráter mais didático que artístico.

e) Nesta linha didática, está o Pe. Manuel da Nóbrega, com o seu Dialogo sobre a Conversão dos Gentios.

f) Em todo o século XVI, só uma figura transpôs a linha do meramente informativo e didático para incluir-se no plano artístico-literário: padre José de Anchieta.


Massaud Moisés nos diz:
"Grande número de jesuítas que deixaram notadamente em cartas, o registro das suas observações acerca da realidade sócio-geográfica do Brasil e de suas peregrinações missionárias: Antônio Blásques, Leonardo do Vale, João de Aspilcueta Navarro, Leonardo Nunes, Luís da Grã, Francisco Pires, Manuel da Nóbrega, José de Anchieta, Fernão Cardim e outros. Os três últimos, porque os principais, merecem análise detida." (pág. 34 e 35)
Como Cardim já foi discutido aqui, vamos falar um pouco de Nóbrega e Anchieta.

Padre Manuel da Nóbrega

"Sua obra de destaque Diálogo sobre a conversão do Gentio cuja redação se deu em 1558, e talvez, melhor em 1557, encerra especial interesse: a par de informações, oferece-nos uma ideia do pensamento do autor e, mesmo, da Companhia de Jesus no Brasil, visto ter sido ele seu primeiro Superior e Provincial. Mais liberto das obrigações de noticiar e de solicitar a ajuda reinol para as tarefas ecumênicas entre nós, o jesuíta põe-se a fazer doutrina em torno dum problema pragmático de suma relevância para o destino da Ordem e, por tabela, da Nação que desponta: a educação do gentio segundo os princípios cristãos, o que significa considerá-lo humano e igual ao branco (...). O Diálogo mostra evidentes intuitos literários, a partir da utilização do diálogo como recurso expositivo (“Diálogo” é um gênero literário em que o autor simula uma palestra ou debate entre personagens reais ou fictícios para comprovação de algo.) (...) O estilo e o conteúdo das falas mostram coerência, cada personagem articula sempre os pensamentos numa dicção apropriada. Nesta obra, apesar das ressalvas que se lhe possam apontar e as limitações de que padece, constitui o primeiro documento literário em prosa escrito no Brasil e com os olhos voltados para a sua específica realidade social."

Faça o download desta obra na página DOWNLOADS


Padre José de Anchieta

Para os índios, foi médico, sacerdote e educador: cuidava do corpo, da alma e da mente. Na catequese, usava o teatro e a poesia, tornando a aprendizagem um processo prazeroso. Ensinou latim aos índios, aprendeu tupi-guarani com eles. A sua obra, diversificada quanto aos géneros, linguagem e estilo, tem quase sempre uma função pragmática, com objectivos teológicos e moralizadores definidos e destinatários precisos. É na poesia, teatro, sermões e cartas que se encontram os melhores momentos da sua obra. "Mais do que qualquer outro jesuíta do tempo e dos séculos XVII e XVIII, foi senhor de autêntica vocação literária. Além disso, a sua atividade intelectual, embora mesclada à catequese e ao ensino religioso, ostenta o mérito de ser pioneira no alvorecer do Brasil - Colônia. Suas obras poéticas, teatrais e em prosa, denotam sempre talento estético cujo despertar a tarefa missionária não abafou, antes, permitiu e estimulou. (...). Se a oratória e os escritos historiográficos não subiram tão alto, ao menos sobressaem como as primeiras manifestações do gênero, além de serem documentos imprescindíveis ao historiador da cultura brasileira no século XVI. Anchieta é a primeira voz de nossa literatura a exprimir o diálogo entre a cultura mediterrânea e a ecologia tropical, numa bipolaridade que acabou sendo a marca do que somos como povo e civilização.

REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS

MOISES, Massaud de. História da Literatura Brasileira: das origens ao romantismo, vol. I São Paulo: Cultrix, 2001.

http://www.astormentas.com/din/biografia.asp?autor=Padre+Jos%E9+de+Anchieta

http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u421.jhtm

http://www.klicknet.com.br/2006/materia/21/display/0,5912,POR-21-100-892-,00.html

http://www.colegioweb.com.br/literatura/a-literatura-jesuitica

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Afinal, que mito é esse que tem no livro de Cardim?

A questão 4 do exercício de Hans Staden tem causado muito vexame entre vocês. Mas finalmente o mistério será revelado!!! Eis o tal trecho que corresponde a esse assunto.

Trecho do livro de Fernão Cardim, Tratados da terra e gente do Brasil.

"Este gentio parece que não tem conhecimento do princípio do Mundo, do dilúvio parece que tem alguma notícia, mas como não tem escripturas, nem caracteres, a tal notícia é escura e confusa; porque dizem que as aguas afogarão e matarão todos os homens, e que somente um escapou em riba de um Janipaba, com sua irmão que estava prenhe, e que estes dois têm seu principio, e que dali começou sua mutiplicação." (pág. 87)

Vejamos alguns trechos do mesmo livro de Cardim que irá auxiliá-los numa melhor compreensão da visão do autor sobre o Brasil (índios).

"Todos andam nus assim homens como mulheres, e nao tem genero nenhum de vestido e por nenhum caso verecundant, antes parece que estão no estado de innocencia nesta parte, pela grande honestidade e modestia que entre si guardão, e quando algum homem fala com mulher vira-lhe as costas." (pág. 90)

"Antes de terem conhecimento dos Portuguezes usavão de ferramentas e instrumentos de pedra, osso, pau, cannas, dentes de animal, etc., e com estes derrubavão grandes matos com cunhas de pedra, ajudando-se do fogo; assim mesmo cavavão a terra com uns paus agudos e faziam suas metaras, contas de buzios, arcos e flechas tão bem feitos como agora fazem, tendo instrumentos de ferro, porém gastavão muito tempo a fazer qualquer cousa, pelo que estimão muito o ferro pela facilitade em fazer suas cousas com ele, e esta é a razão porque folgão com a comunicação dos brancos." (pág. 94 e 95)

"Entre elles ha casamentos, porém ha muita duvida se são verdadeiros, assi por terem muitas mulheres, como pelas deixarem facilmente por qualquer arrufo, ou desgraça, que entre elles aconteça." (pág. 88)

"Este gentio come em todo o tempo, de noite e de dia, e a cada hora e momento, e como tem que comer não o guardão muito tempo, mas logo comem tudo o que têm e repartem com seus amigos, de modo que de um peixe que tenhão repartem com todos (...)". (pág. 88)

Trecho retirado da introdução do livro, escrita por Rodolfo Garcia.

"Nele há o geógrafo, que estuda a terra, suas divisões, seu clima, suas condições de habitalidade; o etnólogo, que descreve os aborígines, seus usos, da fauna e da flora desconhecida; mas há também o historiador diserto, que dicorre sobre a missão dos jesuítas, seus colégios e residências, o estado das capitanias, seus habitantes e suas produções, o progresso ou a decadência da Colônia, e suas causas, sobre a vida, enfim, daquela sociedade nascente, de que participava. Seus depoimentos são os de testemunha presencial, e valem ainda mais pela espotaneidade e pela sinceridade com que singelamente os prestou. " (pág. 13)

OBSERVAÇÃO: Os trechos foram retirados do livro Tratados da tera e gente do Brasil, com introdução de Rodolfo Garcia, editora Itatiaia, (Belo Horizonte); Ed. da Universidade de São Paulo (São Paulo), 1980.